O presente artigo é dedicado ao Dia Mundial da Fotografia em Angola: avanços e recuos, propõe analisar os avanços e recuos da fotografia. Bem como a trajectoria histórica do surgimento da fotografia no mundo. Para melhor compreender a nossa pesquisa procuramos trabalhar com a abordagem qualitativa, utilizamos entrevistas abertas à fotojornalistas do Jornal de Angola e O País, sem esquecer à análise documental e revisão bibliográfica, que permitiu entender a profundidade crítica do dia mundial da fotografia em Angola se teve avanços e recuos.
O Dia de 19 de Agosto, celebra-se o Dia Mundial da Fotografia serve de oportunidade para valorizar a fotografia, não apenas como re- presentação artística, ferramenta de comunicação, memória, documentação, construção da identidade individual e colectiva, mas uma de reflexão em Angola. Esta data recebe particular importância numa altura que a história contemporânea foi marcada por profundas transformações políticas, sociais e culturais, muitas delas registadas por fotógrafos e fotojornalistas. Origem da fotografia no mundo.
O conceito de fotografia culmina com a origem etimológica da palavra fotografia resultante da justa- posição dos vocábulos gregos photós luz, e gráphos desenho, pintar e imagem, Britannica (1993). De forma resumida podemos definir que fotografia é pintar ou desenhar com luz. Kindala Manuel , defende que fotografia é uma imagem que serve como base de informação não- verbal nos vários sectores da vida. Carlos Mocos define que fotografia é uma linguagem visual poderosa que permite registar, interpretar e comunicar a realidade de forma imediata e simbólica.
O mérito dessas descobertas coube a Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), um artista diletante, com pouco jeito para o desenho, mas com uma certa inclinação pa- ra a ciência. Tendo começado por interessar-se pela litografia, em 1813, no ano seguinte encontrava- se já a testar as potencialidades da câmara escura, Sougez (2011). Amar (2011) defende que Louis Mande Daguerre, célebre pintor do diorama de Paris, só terá tomado conhecimento destes avan- ços graças à indiscrição dos irmãos Chevalier, fornecedores de lentes das câmaras utilizadas por Niépce.
Daguerre terá, então, procurado inteirar-se dos métodos em- pregues por este na execução heliográfica. No seguimento de uma correspondência iniciada em 1826, os dois inventores acabaram por estabelecer uma sociedade, três anos mais tarde, na qual se reconhece o primado de Niépce na invenção do processo, concedendo- se a Daguerre, tão somente, o aperfeiçoamento da câmara escura. A morte de Niépce, em 1833, permitiu inverter esta situação. Daguerre comprou os direitos desta des- coberta ao filho mais velho do inventor, levando a que o seu nome deixasse de constar na patente do Daguerreótipo, em 1839.
Souguez (2011), afirma que por conta de várias apresentações da sua nova invenção nas academias de Ciências em França, institucionaliza o dia 19 DE Agosto do mesmo ano Dia Mundial da Fotografia. Depois de tomar conhecimento do sucesso alcançado pelo daguer- reótipo, também o inglês William Fox Talbot procurou aperfeiçoar os resultados que já́ havia alcançado com os seus desenhos fotogénicos. Wanderley (2021), é de opinião que a fotografia não é produto de um só inventor, vários protagonistas e nações deram o seu contributo.
Em 1841, era finalmente apresentado o Calótipo, um método que empregava uma folha de papel sensibilizada com sal de prata, na qual as formas emergiam ainda algo difusas, mas que apresen- tava a vantagem de permitir uma reprodução ilimitada de cópias. A institucionalização do Dia Mundial da Fotografia não dependeu apenas do esforço de Daguerre. Na Índia o fotógrafo, professor e pioneiro da fotografia Sharma (2002), foi um dos principais responsáveis pela mobilização deste dia, massificou a data com a ideia de celebrar mundialmente o 19 de Agosto como o Dia Mundial da Fotografia. A primeira celebração na Índia sucedeu-se em 1991, divulgado pelo Indian Internacional Photographic Council (IIPC), organização fundada por Sharma. Ganhos e recuos do fotojornalismo em Angola Não há dúvidas que tivemos ganhos, se olharmos no equipamento fotográfico que muitas redacções apresentam.
Existe máquinas fotográficas da última geração com melhor qualidade técnica e resultados mais vistosos. O facto de ter uma boa máquina fotográfica não é sinónimo de obtenção da melhor fotografia, o fotógrafo deve dominar a técnica e o equipamento utiliza. Vezes há que as máquinas chegam a ser mais sofisticadas que o próprio profissional manuseia. Em termo miúdo podemos dizer que o homem nem sequer apren- der a conduzir um Toyota Starlet e teve a sorte de ganhar um Ferrarri. Cardoso (2022), observa que, a partir dos anos 1980, a qualidade da fotografia em Portugal melhorou substancialmente e a fotografia passou a ser mais valorizada nas redacções. Isso esteve associado à melhor formação dos fotógrafos, à abertura de algumas direcções editoriais e à mudança de entendimento sobre a função da imagem na imprensa.
Quando quisermos falar de ga- nhos em todos os aspectos da vida é importante associarmos a formação académica e profissional. De outra forma, em vez de termos ganhos, teremos sim recuos. Na fotografia não é diferen- te, a formação anda de mãos dadas com os ganhos fotográficos. Em tempos passados em Angola, quase que não se falava de formação de fotografia no ensino de forma geral. Felizmente, hoje a nível superior existem algumas universidades vocacionadas na formação de jornalistas, a disciplina de fotojornalismo ganhou autonomia, de igual modo a nível da formação profissional vão surgindo boas opções. Ritchin (2008) defende que a fotografia digital não é simples- mente uma nova etapa da foto grafia analógica. É uma mudança profunda na forma como produzimos, modificamos, distribuímos e interpretamos imagens.
O autor chama atenção o facto de que a fotografia no contexto actual ser facilmente manipula por conta dos recursos tecnológicos. E com isto deixa cair por terra a ve- lha máxima que muitos fotógrafos se arrogaram dizer uma fotografia vale mais do que mil palavras. A reflexão de Fátima Lopes Cardoso sobre os avanços e recuos da fotografia documental permite compreender que a evolução tec- nológica não representa neces- sariamente uma valorização li- near da fotografia. Se, por um lado, a digitalização democratizou o acesso à produção e circulação de imagens, por outro, contribuiu para a sua massificação e para a desvalorização do fotógrafo profissional.
No contexto angolano, es- ta perspectiva permite questionar se os avanços tecnológicos registados nas últimas décadas foram acompanhados de igual valori- zação profissional, institucional e cultural da fotografia. Bernardo Pires, numa matéria publicada no Jornal O País, em 25 de Outubro de 2024, enfatiza o fac- to de existir profissionais que tra- balham para sistematizar a histó- ria da fotografia angolana. Nambi Wanderley Quintino, por exem- plo, é autor de História e Evolução da Fotografia em Angola e defende a necessidade de preservar por escrito a memória dos fotógrafos e dos processos que marcaram a evolução da fotografia no país. Em termo de conclusão podemos dizer que a fotografia jogou e joga papel fundamental no mundo das artes.
Assume extrema importân- cia na compreensão das matérias divulgadas no jornal, credibiliza, impacta, e por vezes certifica mo- mentos real e manipulados. O Dia Mundial da Fotografia, ce- lebrado a 19 de Agosto, não é apenas uma data comemorativa, que sirva para reflectir sobre que fotografia tivemos, temos e queremos ter, o maior desafio da fotografia angolana não é acompanhar a velocidade das novas tecnologias, é também de guardar memórias. Viva o dia mundial da fotografia, que haja uma chuva de cliques! Jornalista e Professor
POR: NAMBI WANDERLEY





