Ao Director do jornal OPAÍS, Após muitos anos sem andar de táxi azul e branco, ontem foi dia de redescobrir essa realidade. Com a avaria da minha viatura, vi-me obrigada a uma verdadeira maratona para ir comprar peças de reposição. A viagem começou na Centralidade do Kilamba, rumo ao Golfo 2, depois outro táxi até ao “Avô Kumbi”, terminando o percurso a pé até ao emblemático Mercado dos Correios. Lá chegada, o cenário era de uma energia contagiante.
Deparei- me com uma imensa juventude, os conhecidos “mixeiros”, totalmente dispostos a correr atrás do sustento diário. É um retrato dual: por um lado, jovens com excelentes intenções e prontos a ajudar os clientes a carregar mercadorias ou a encontrar o que precisam; por outro, infelizmente, alguns mal-intencionados à espreita de um momento de distracção para furtar. Apesar dos riscos, o que mais me marcou foi a força de vencer da maioria.
Comprei as peças necessárias numa das lojas geridas por cidadãos malianos e senegaleses, num exemplo claro de comércio integrado, e empreendi o regresso ao Kilamba. No caminho de volta, ao chegar ao Golfo 2, bem em frente ao tribunal testemunhei uma cena exemplarquemerecedestaque. Um jovem pertencente à associação de taxistas “JB” realizava um trabalho notável. Munido de um megafone, orientava pacientemente os passageiros para as suas respectivas paragens.
Como as paragens para quem se dirige ao Kilamba e ao 11 de Novembro mudaram de local há poucos dias, a confusão era imensa, mas a intervenção daquele jovem colocava ordem na confusão. Este episódio fez- me reflectir: Angola pode e será melhor com a ajuda e a força da nossajuventude.Contudo,estes talentos e iniciativas precisam de apoio institucional.
Por isso, apelo aos órgãos competentes no sentido de formalizar e profissionalizar o trabalho destes jovens organizadores de paragens. Apenas com capacitação, enquadramento e reconhecimento oficial poderemos potenciar o seu contributo para a melhoria da mobilidade urbana e para o desenvolvimento do nosso país, que tanto precisa de braços criativos e trabalhadores.
Melhores cumprimentos, Jusselina Figueiredo Moradora da Centralidade do Kilamba





