Há filmes que não desejamos assistir todos os anos. Mas, infelizmente, quando se aproxima a abertura de mais um ano lectivo, como temos vindo a assistir, continuamos a assistir a milhares de cidadãos em busca de uma vaga para os seus educandos.
Perante uma procura cada vez mais intensa, o que se observa é, sobretudo, a oferta de um número exíguo de vagas para os alunos no ensino primário e no segundo ciclo. Adivinha-se que venham a ficar fora do sistema de ensino mais um número significativo de meninos e meninas ainda em tenra idade, muitos dos quais os seus progenitores não conseguem suportar os custos existentes no sector privado. Em algumas províncias, incluindo Luanda, muitos dos encarregados acabam pernoitando defronte às escolas públicas, embora se saiba de antemão que este facto não seja garantia alguma de que se vai poder ter aluno matriculado.
Do interior surgem também algumas situações aterradoras. Daquelas de cortar o fôlego, demonstrando, uma vez mais, que há uma forte necessidade do Executivo investir cada vez mais na edificação de mais salas de aula em quase todo o território. Infelizmente, é também em épocas como estas em que muitos se aproveitam dos pacatos cidadãos, que, por uma vaga, alguns acabam por gastar recursos que poderiam servir para atender a outras necessidades, principalmente em famílias que vivem em situações precárias.
Além das apostas feitas pelo Executivo central, esperava-se que, em algumas localidades, o Programa Integrado de Desenvolvimento aos Municípios (PIIM) pudesse ajudar a colmatar o défice existente. Em algumas localidades, acabaram por surgir escolas que hoje vão dando cobertura às necessidades, embora se saiba, igualmente, que se vive, neste momento, um crescimento acentuado da própria população, que deve merecer uma atenção das autoridades competentes.
Tendo em conta este facto, embora vivamos num país extenso, creio que não se conseguirá, todos os anos, construir um número considerável de escolas que venham a absorver o ainda elevado número de crianças fora do sistema de ensino. Neste contexto, há necessidade de o Executivo encontrar mecanismos junto de instituições privadas e, sobretudo, nas entidades religiosas, que, ao longo dos anos, têm igualmente auxiliado no processo de educação das próprias comunidades, fundamentalmente aí nas zonas mais remotas.
Há bons exemplos em relação a determinadas confissões religiosas, como a Católica, Metodista e outras, que têm colocado à disposição dos angolanos uma educação de qualidade e muito distante dos preços proibitivos de muitas escolas particulares.





