O Irão garantiu ter “surpresas estratégicas” para os Estados Unidos, com o acordo que estabelecia um cessar-fogo e um período de 60 dias para resolver questões pendentes
Numa entrevista à televisão iraniana realizada hoje pela agência IRNA, um alto comandante da Guarda Revolucionária do Irão (IRGC, na sigla em inglês) defendeu uma “reorganização, modernização e desenvolvimento da doutrina de defesa da República Islâmica”.
“A partir de agora, qualquer ação que empreendamos, mesmo que seja defensiva, deve ter um caráter ofensivo”, afirmou o subcomandante da IRGC para os Assuntos Políticos, Yadollah Javani, antes de assinalar que as forças armadas ira- nianas “adotarão abordagens transformadoras”. “O inimigo deve saber que não pode realizar ataques de surpresa nem apanhar-nos desprevenidos. Talvez deva esperar surpresas estratégicas”, advertiu. As declarações enquadram-se no endurecimento do tom de Teerão contra Washington, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito na sexta-feira que planeia declarar o estreito de Ormuz “território dos Estados Unidos” após “derrotar o Irão”.
Após a afirmação de Trump, as forças iranianas garantiram no domingo que não cederão até alcançarem a “derrota completa” dos EUA e anunciaram uma recompensa equivalente a 30 mil dólares (25.893 euros) para qualquer cidadão iraniano que mate ou capture e entregue um soldado norte-americano, com um prémio que duplicará se a ação for levada a cabo por uma mulher.
Esta segunda-feira expira o memorando de entendimento assinado entre Teerão e Washington a 17 de junho, que estabelecia o fim imediato das operações militares e fixava um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo de paz. No entanto, as hostilidades reataram a 07 de julho, depois de Washington ter acusado Teerão de atacar navios comerciais no estreito de Ormuz, ao que se seguiram novos bombardeamentos norte-americanos contra o sul do país persa.





