Àguisa de prólogo, entende-se que, num Esta- do democrático e de Direito, o mandato de um deputado não se resume apenas a ocupar um assento no Parlamento, a votar ou a apresentar pro- postas de leis. No verdadeiro sentido da representação política, está também na ligação permanente entre o eleito (deputado) e os seus eleitores (povo).
Quando um deputado intera- ge constantemente e responde às perguntas do seu eleitorado, na minha opinião, fortalece a democracia, promove a transparência e demonstra respeito por aqueles que lhe confiaram o voto por um determinado período de tempo. Infelizmente, nem sempre esta prática é comum para o nosso contexto.
Muitos irmãos angolanos e cidadãos ainda sentem que os seus representantes apenas aparecem durante as campanhas eleitorais, desaparecendo depois de conquistarem o mandato. Essa distância cria desconfiança, alimenta o desinteresse pela política e enfraquece a participação cívica. Por outro lado, um deputado que responde às dúvidas, críticas e sugestões da população transmite uma mensagem clara: está disponível para prestar contas e para ouvir quem representa.
Mesmo quando não consegue resolver todos os problemas, o simples facto de estar presente, de explicar as limitações, apresentar soluções possíveis ou encaminhar as preocupações dos cidadãos já constitui um exercício de responsabilidade pública. Responder às perguntas do eleito- rado também permite ao deputado conhecer melhor a realidade das comunidades, identificar as suas necessidades e defender, com maior propriedade, políticas públicas que correspondam aos interesses da população.
A política deixa de ser um discurso distante e transforma-se num diálogo constante e inclusivo. Penso que a prestação de contas é um dos pilares da boa governação. Os eleitos devem compreender que o cargo pertence ao povo e que o mandato é temporário. Por isso, ouvir, responder e comunicar de forma transparente não é um favor, mas sim um dever democrático.
Em gesto de conclusão, quando um deputado responde às perguntas do seu eleitorado, ganha a nossa democracia, ganha a confiança dos cidadãos e fortalece-se a relação entre representantes e representados. O silêncio afasta o povo da política; o diálogo aproxima, esclarece e constrói uma sociedade mais participativa e consciente.
Neste artigo, procurei fazer um pequeno apelo aos que estão neste mandato e aos que eventualmente entrarão na alvorada de 2027 adiante: é preciso mudar o nosso contexto e reforçar a interacção entre os servidores deste ramo e os seus eleitorados. Apesar de que, num universo de 220 deputados, a maioria ainda se encontra excluída da interacção contínua com o seu eleitor, também parabenizo aqueles que acompanho e que, até aqui, têm conseguido manter uma interacção constante com o seu eleitor, e passo a citar:
1.Esteves Hilário 2. Elizângela Wassuka 3. Kilamba Van-Dúnem 4. Aia-Elza Gomes da Silva 5. Hemingarda Fernandes 6. Nvunda Salucombo 7. Nelito Ekuikui 8. Adriano Sapinala 9. Paulo Faria 10. Ariane Nhany 11. Miahela Wheba 12. Antônio Paulo Uma curta lista miscigénea entre a antiga e a nova geração, com saberes e competências diversas, com boa capacidade de comunicação e interação com os seus eleitores.





