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Capital humano: o activo que pode definir o futuro da banca angolana

Jornal OPaís por Jornal OPaís
12 de Agosto, 2026
Em Opinião

Durante anos, falar de competitividade na banca significava falar sobretudo de capital, tecnologia, rede comercial, produtos e capacidade de financiamento. Hoje, estes factores continuam a ser determinantes, mas já não explicam, por si só, quem consegue transformar uma estratégia em resultados sus- tentáveis.

A verdadeira diferença começa cada vez mais nas pessoas. Num sector marcado pela transformação digital, pela evolução das expectativas dos clientes e por exigências regulatórias crescentes, a capacidade de uma instituição financeira depende também da qualidade das decisões que toma, da rapidez com que aprende e da forma como as suas equipas executam a estratégia.

É neste contexto que o Capital Humano deixa de ser apenas uma compo- nente da estrutura de custos para assumir um papel central na com- petitividade. Não basta ter talento. É preciso criar valor A preparação do futuro da banca não pode depender apenas de tecnologia, novos produtos ou expansão comercial. Cada ambição estratégica exige competências capazes de a concretizar.

A digitalização requer profissionais preparados para interpretar dados, gerir novos riscos, prote- ger a informação e transformar tecnologia em valor para o cliente. O crescimento sustentável exige, igualmente, desenvolvimento de competências, preparação de líderes e uma cultura de controlo. A questão estratégica deixa, as- sim, de ser apenas “quantas pessoas precisamos?” para passar a ser “que competências serão de-terminantes para o banco nos pró- ximos anos?”.

Esta mudança exige uma gestão de pessoas alinhada com o negócio, capaz de identificar funções críticas, preparar sucessores e direccionar o investimento em talento para as áreas onde poderá ge- rar maior impacto. Formar melhor, trabalhar melhor Num contexto de maior rigor na utilização dos recursos, a forma- ção deve ser avaliada pelo impacto que produz e não apenas pelo número de acções realizadas.

Com- petências em compliance, gestão de risco, cibersegurança, dados, inteligência artificial, liderança e experiência do cliente assumem importância crescente. Mais do que formar mais, importa formar melhor e criar uma cultura de aprendizagem contínua, ca-paz de preparar as equipas para os desafios de amanhã.

A eficiência também começa nas pessoas. Uma organização eficiente não é simplesmente aquela que gasta menos, mas aquela que utiliza melhor os seus recursos, reduz desperdícios, antecipa ris- cos e concentra os seus esforços no que cria valor. Para isso, é necessária uma cultura de responsabilidade, sustentada por liderança, comunicação clara e envolvimento das equipas.

Desempenho, liderança e con- fiança Num ambiente de mudança ace- lerada, a avaliação de desempenho deve considerar não apenas o cumprimento de metas, mas tam- bém a qualidade da execução, a capacidade de adaptação e o impacto gerado. Objectivos claros, acompanhamento regular e fe- edback contínuo permitem uma gestão mais rigorosa e ajustada à realidade.

O mesmo princípio deve orientar a remuneração. Reter talento exige competitividade, mas também sustentabilidade, equidade e responsabilidade. Na banca, o reco- nhecimento do mérito deve estar associado não apenas aos resultados, mas também à gestão do risco, ao cumprimento das normas e à preservação da confiança dos clientes.

Essa confiança também é construída através das pessoas. O cliente sente a qualidade do Capital Humano na forma como é atendido, na rapidez dos processos e na capacidade das equipas para resolver problemas. Por isso, nenhuma estratégia de pessoas se concretiza sem liderança. Os líderes precisam de comunicar prioridades, desenvolver talento, construir confiança e preparar as organizações para competências que serão necessárias no futuro.

A vantagem competitiva começa dentro de casa A banca angolana continuará a enfrentar desafios relevantes: pressão sobre a eficiência, transformação tecnológica, evolução das expectativas dos clientes, exi- gências regulatórias e necessidade de crescimento sustentável. Nenhum destes desafios será re- solvido apenas com tecnologia ou capital.

Serão resolvidos por pes- soas capazes de utilizar a tecnologia, gerir o capital, compreender o risco, servir melhor o cliente e executar a estratégia com disciplina. É essa capacidade colectiva que pode transformar o Capital Humano num verdadeiro activo es- tratégico. A próxima vantagem competitiva da banca angolana poderá não estar apenas naquilo que os bancos conseguem comprar, implementar ou lançar no mercado, mas naquilo que conseguem aprender, executar e transformar através das suas pessoas. No final, a diferença entre uma estratégia bem desenhada e uma estratégia que produz resultados de- penderá da capacidade de transformar conhecimento em acção e talento em valor.

POR: IRACELMA DE ANDRADE

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