O presidente do Conselho de Administração da Empresa Portuária do Lobito, Celso Rosas, defendeu a necessidade de optimizar a operacionalidade do Corredor do Lobito através do aproveitamento da chamada “carga de regresso”, considerando que esta é uma condição essencial para tornar a infraestrutura mais rentável e competitiva.
A posição foi apresentada durante a mesa-redonda subordinada ao tema “Economia, Logística, Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade no Corredor do Lobito”, realizada no stand do Porto do Lobito, na Feira Internacional de Luanda (FILDA).
Moderado por Gilson Simões, director de Sustentabilidade do Porto do Lobito, o encontro reuniu representantes da Lobito Atlantic Railway (LAR), da AGL-Lobito Terminal e da Agência de Facilitação do Transporte de Trânsito do Corredor do Lobito (AFTTCL).
Na sua intervenção, Celso Rosas afirmou que o aumento sustentável da produtividade e dos resultados financeiros da infraestrutura depende da capacidade de assegurar que os comboios transportem mercadorias nos dois sentidos da circulação.
Segundo o gestor, o transporte de carga útil tanto na ida como no regresso permitirá transformar o Corredor do Lobito numa rota logística plenamente rentável e competitiva.
O responsável abordou igualmente a necessidade de reforçar as práticas de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG), salientando que a captação de investimento internacional proveniente da União Europeia, dos Estados Unidos da América, de bancos internacionais e de fundos privados está condicionada ao cumprimento destes princípios.
Neste contexto, destacou o projecto “Porto Verde”, apontando-o como um dos pilares para demonstrar o compromisso da Empresa Portuária do Lobito com a gestão ambiental, o envolvimento social e as boas práticas de governação.
Celso Rosas defendeu ainda que a componente social deve ocupar um lugar central no desenvolvimento do Corredor do Lobito, frisando que a infraestrutura não deve limitar-se ao transporte de minérios, mas também contribuir para a valorização das comunidades locais.
“Transportamos minério, mas como fica a nossa gente, como ficam os cidadãos? Temos de atribuir particular importância às pessoas e ao emprego local”, afirmou.
O gestor destacou os programas de formação profissional desenvolvidos em parceria com operadores privados, em particular com a Lobito Atlantic Railway (LAR), destinados à capacitação de jovens das províncias abrangidas pela linha férrea para exercerem funções como maquinistas, técnicos e estivadores.
No domínio da segurança e saúde operacional, reiterou a meta de alcançar “zero acidentes e zero incidentes”, defendendo o reforço das parcerias com as comunidades situadas ao longo da linha férrea, de modo a envolvê-las na promoção da segurança do corredor.
Na parte final da sua intervenção, Celso Rosas defendeu que cada estação ferroviária deve afirmar-se como um pólo logístico funcional, permitindo que produtores agrícolas de regiões como o Coval e o Luena tenham acesso a canais directos e eficientes para exportar os seus produtos através do Corredor do Lobito.
O presidente da Empresa Portuária do Lobito sublinhou ainda a importância de manter um diálogo permanente com as comunidades nativas, com o objectivo de prevenir e mitigar eventuais conflitos relacionados com a posse de terras.
FILDA 2026







