Milhares de moradores das Centralidades do Kilamba, KK, Urbanização Nova Vida (em Luanda) e do Sequele e Vida Pacífica (no Icolo e Bengo) têm casas devidamente arquitecta das, ruas asfaltadas, serviços básicos garantidos e até centros comerciais, entretanto, carecem de um elemento essencial para o cultivo do intelecto: bibliotecas. Estudantes, professores e o público, em geral, são obriga dos a deslocar-se para zonas distantes para adquirir livros ou usufruir de espaços de leitura
Maria Mayeto, adolescente de 16 anos, estudante do curso médio de ciências físicas e biológicas, é moradora da Centralidade do Kilamba desde os seus 9 anos, e desde o ensino de base que tem os livros como fiéis companheiros. Aos finais de semana, gosta de ler, passear e ver filme com a família e amigos, uma rotina que, às vezes, leva a deslocar-se para o centro da cidade em busca de livros para a sua pequena colecção de obras literárias.
Entre a Mutamba e a Maianga, Maria é obrigada a acordar cedo, aturar longas filas de táxi e um trânsito infernal para conseguir chegar cedo a uma das bibliotecas do centro da cidade e obter um livro ou fazer uma pesquisa bibliográfica.
Quando não tem a possibilidade de custear o táxi do trajecto, a estudante vê-se obrigada a baixar livros virtuais (formato PDF) e lê-los a partir do telemóvel, algo que diz ser bastante cansativo para os olhos, já que tem também dificuldades em ficar frente ao ecrã por muito tempo.
Agastada com a situação, a mes ma lamenta o facto de até, ao momento, passados mais de dez anos desde a inauguração da centralidade, a administração não mostrar sinais, nem interesses em erguer uma biblioteca e pô-la à disposição dos cidadãos.
“Não temos bibliotecas aqui no Kilamba, e, nas poucas livrarias que temos (dentro dos supermercados), os livros são muito caros e quase nunca há os livros que procuramos”, expressou a adolescente desanimada.
Maria conta que a situação setor na ainda mais agonizante quando lhe é atribuído um trabalho de pesquisa bibliográfica na escola. Ela e os colegas são “forçados”, pelas circunstâncias, a dirigir-se para outras partes da capital em busca de bibliotecas ou então, em casos mais específicos, a Mediateca de Luanda (situada no Largo das Escolas) acaba sendo o destino mais viável.
A ausência de bibliotecas na Centralidade do Kilamba aflige não só a pequena jovem Maria, mas também uns tantos milhares de moradores daquele projecto urbano, como é o caso de Francisco Vudiça. Este, por sua vez, é estudante do curso superior de contabilidade e administração.
Para realizar os seus trabalhos de pesquisa, por exemplo, Francis cotem usado a biblioteca da sua universidade, situada em Talatona, ou é obrigado a descer para a Baixa de Luanda.
“Na maioria das vezes, faço os meus trabalhos de pesquisa na universidade, mas tem aqueles casos em que a biblioteca da universidade não oferece o livro que quero, então sou obrigado a levantar cedo e descer para a Baixa, na Biblioteca Nacional, ou na Mediateca do 1.º de Maio”, contou o jovem, tentando conter a gota de suor que insistia em descer da parte lateral do rosto.
Debaixo de um sol infernal, carregando uma mochila ao ombro, o jovem de 23 anos mostrava-se estar atrasado para qual fosse o compromisso que tivesse, mas, ainda assim, aproveitou a ocasião para reportar à nossa equipa que a carência de espaços bibliotecários é uma situação que aflige não apenas a Centralidade do Kilamba, como grande parte das centralidades e centros urbanos de Luanda.









