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Especialistas apontam incongruências nos dados de emprego do primeiro trimestre

Especialistas do centro de investigação da universidade lusíadas de Angola (Cinvestec) apontam incongruências nos dados de emprego do 1.º trimestre de 2024. Com a criação de 76 mil postos de trabalho, o aumento de 97 mil empregos formais e a inesperada queda de 22 mil empregos informais, levantam dúvidas sobre a metodologia utilizada e desafiam a tendência histórica do mercado de trabalho

Jornal Opais por Jornal Opais
7 de Outubro, 2024
Em Economia

O relatório indica a criação de 76 mil novos empregos no início de 2024, sendo 97 mil postos formais, mas com uma redução de 22 mil empregos informais, a primeira queda expressiva registada neste sector.

Segundo o Cinvestec, essa redução abrupta do emprego informal não segue a lógica histórica do mercado angolano, que tradicionalmente se caracteriza por uma predominância da economia informal.

A simultânea queda da taxa de actividade, que desceu 2,8 pontos percentuais em áreas urbanas, e o crescimento significativo da taxa de emprego urbano, que subiu 6,8 pontos percentuais, são dados que não parecem compatíveis com o número limitado de postos de trabalho criados.

Além disso, a discrepância entre os dados urbanos e rurais também suscita dúvidas para os analistas do Cinvestec. Enquanto a taxa de emprego urbano teve um aumento considerável, a taxa de emprego rural caiu drasticamente, de 76,2% para 61,8%. A taxa de desemprego rural, que no final de 2023 era de 11,4%, subiu para 32,4%, o mesmo valor registado nas áreas urbanas.

“Esses dados não reflectem a realidade do mercado rural, onde a maioria dos trabalhadores está envolvida em actividades agrícolas familiares”, observa o relatório. Outro ponto de preocupação dos especialistas é a taxa de informalidade.

Nas zonas urbanas, o emprego informal aumentou para 74,6%, contradizendo o suposto crescimento do emprego formal. No entanto, no meio rural, onde a informalidade sempre foi a norma, a taxa caiu de 95,5% para 89,0%, o que também não parece coerente com as condições reais.

Falta de consistência nos dados

Para o Cinvestec, a falta de consistência nos dados sugere que houve uma possível reclassificação dos critérios de emprego ou erros na colecta de informações, tornando difícil uma análise clara e objectiva da situação actual.

A crise no mundo rural, marcada pela falta de mercados e recursos para estimular a produção agrícola, continua a ser um dos maiores entraves para a recuperação económica do país.

“Embora a taxa de emprego formal tenha crescido ligeiramente, o cenário geral do emprego em Angola permanece grave, com uma elevada taxa de informalidade e condições de trabalho precárias, tanto nas zonas urbanas quanto nas rurais”, conclui o relatório.

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