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Projecto ‘Arte Salva’ impacta dezenas de crianças em Viana com acções educativas

“Um projecto estruturante de educação artística, desenvolvido e implementado pela biblioteca comunitária 10Padronizada, está a impactar a vida de mais de 90 crianças no distrito urbano da Estalagem, no município de Viana, em Luanda

Bernardo Pires por Bernardo Pires
19 de Julho, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

Denominado “Arte Salva”, o projecto que beneficia do financiamento do Banco BIC, através do programa “Crescer Juntos”, enquadrado no âmbito das responsabilidades sociais daquela instituição bancária, está a transformar a vida de cerca de 98 crianças naquela biblioteca comunitária situada no “coração” de Viana.

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Nascido da carência de escolas e centros de ensino artístico destinado a crianças e adolescentes, o projecto ganhou “vida” após ter sido seleccionado para beneficiar do financiamento no programa de responsabilidade social da referida instituição bancária, em Novembro do ano passado.

Concorrendo pela segunda vez, após não ter sido aprovado no ano anterior, o “Arte Salva” foi o único projecto de pendor centrado na cultura que convenceu o conselho de avaliação, tornando-se assim na primeira iniciativa de impacto sóciocultural a gozar do apoio direto de uma instituição bancária, a nível do município de Viana, como contou ao OPAIS, Dago Nível, um dos mentores do projecto e coordenador da biblioteca 10Padrozinada.

“Nós ficamos a saber do edital desta instituição bancária em 2022, mas infelizmente naquele ano concorremos e não fomos aprovados. Voltamos a concorrer em 2023, desta vez fomos aprovado e estamos a beneficiar deste financiamento que tem a duração de dois anos”, avançou.

Aulas de alfabetização, pintura e xadrez

Segundo o responsável, dentro do “Arte Salva”, além de aulas de alfabetização, que é o principal pendor, são também ministradas aulas de xadrez e artes plásticas, todas elas de forma gratuita, destinadas especialmente ao público infantil, com idades entre os 6 e os 16 anos.

“Temos 40 alunos inscritos nas várias turmas de alfabetização, 31 nas aulas de artes plásticas e 27 nas aulas de Xadrez”, avançou, acrescentando que as aulas de xadrez e artes plásticas são ministradas em dois turnos (manhã e tarde). Em menos de dois anos de existência, o projecto já abrangeu mais de 80 crianças vindas do distrito da Estalagem e zonas adjacentes, cujas vidas têm sido transformadas com as acções desenvolvidas dentro da referida iniciativa.

“Nós temos procurado transformar a vida das nossas crianças com aquilo que melhor sabemos fazer que é educar, e a arte e os livros têm sido as nossas principais ferramentas de trabalho”, disse Dago Nível.

Primeira fase de projecto

Para o corrente ano, que culmina a primeira fase do financiamento que vai até final de 2025, explicou que pretendem envidar esforços no sentido de ver concluídas, com sucesso, todas as acções e iniciativas desenvolvidas no âmbito do referido projecto.

Ressaltou que as aulas de alfabetização têm tido um papel preponderante naquilo que é a visão transformadora idealizada desde o início do projecto, com as ambições voltadas para as dinâmicas que visam atrair o maior número possível de crianças, sobretudo aquelas que se encontram fora do sistema de ensino.

“Um dos nossos maiores objectivos para este ano é concretizar com sucesso este projecto e vermos as crianças beneficiadas das aulas a saírem daqui com valores agregados que ajudam a transformar as suas vidas e de outras pessoas das comunidades em que elas pertencem”, ressaltou.

Inclusão por meio das artes

Um dos propósitos motivadores da criação do projecto, segungo o mentor, é a luta pela inclusão social através da literatura e das artes. Segundo elucida, as actividades desenvolvidas têm propiciado a criação de um ambiente inclusivo e acolhedor, permitindo que dezenas de crianças, especialmente as que se encontram fora do sistema de ensino, tenham a oportunidade de aprender a ler e escrever, e ter o domínio de alguma disciplina artística.

“A nossa luta tem sido essa, fazer com que as crianças encontrem aqui um espaço acolhedor, capaz de as educar, de transformar as suas vidas por meio da educação e das artes”, frisou.

Destacou que, com as oficinas de pintura e xadrez, os pequeninos vêem as suas vidas a ganharem um outro rumo, aspirando arte em tudo o que fazem e contemplam.

“Não tem sido fácil, mas sentimos que tem valido a pena porque vemos a alegria e satisfação no rosto destas crianças. Esta tem sido a nossa grande satisfação e motivação”, realçou.

Naquela biblioteca que funciona, adaptadamente, por baixo de uma pedonal, as aulas vão ganhando cada vez mais adeptos, com turmas formadas por pouco mais de 20 crianças, para as aulas de alfabetização (no período matinal) e mais de 30 alunos nas aulas de pintura e xadrez.

Exposição de talentos ao ar livre

Não obstante a promoção da inclusão, as formações têm servido também de um “caça talentos” para os pequeninos que entram para o projecto na ânsia de aprender por curiosidades e acabam despertando as suas habilidades artísticas e/ou criativas.

É a pensar na dinâmica de expôr os talentos destes pequenos para o público em geral que a coordenação da biblioteca tenciona realizar, no final do corrente ano, uma feira expositora ao ar livre, com exibição dos trabalhos feitos pelos alunos que têm a pedonal como suas salas de aula.

A feira, refere o coordenador, vai permitir que as pessoas tenham o contacto directo com as obras e os seus autores, propiciando um ambiente de diálogo e interacção entre os pequenos artistas e os visitantes que forem passando para apreciar as obras.

Exposição de obras literárias, recital de poesias, concurso de leitura em público, desenhos criativos e outros constam da lista de atracções reservadas para a referida feira que prevê acolher mais de cem pessoas naquele espaço que já se tornou uma “paragem obrigatória” para os amantes de literatura na via expressa Viana-Estalagem.

Biblioteca com foco

“Educar para transformar” é um dos lemas que caracteriza o dinamismo daquela biblioteca comunitária que existe há quase quatro anos. Num espaço simples, acolhedor, é nos livros onde, geralmente, ficam centradas as atenções de quem visita aquele espaço com assentos improvisados que convidam a dar uma pausa para degustar de uma boa leitura.

Como literatura e educação são “duas amigas” que andam sempre de mãos dadas, a biblioteca tem centrado as suas atenções e esforços nas iniciativas que visam fomentar o alfabetismo no seio da comunidade, uma tarefa que conta com apoio de jovens voluntários como Beatriz Coimbra (professora de alfabetização) e Erikson Martins (bibliotecário).

De 25 anos de idade, Beatriz tem a importante tarefa de educar as crianças, ensinando-as não apenas a ler e escrever como também os princípios de ética e de boas maneiras.

“Tem sido uma experiência gratificante, uma vez que a nossa missão é tirar estas crianças da rua e poder educá-las, porque a maioria delas não frequenta uma escola, não tem como não ser satisfatório”, disse a jovem.

Acrescentou que tem aprendido bastante com os pequeninos que todos os dias apresentam-lhe uma história interessante do seu dia-a-dia. “Desde que começámos as crianças têm mostrado dedicação e entrega. Não somente eu que as tenho ensinado, mas também tenho aprendido com elas, com as suas histórias de vida e isso tem sido maravilhoso para mim”, salientou.

Leitura e Cinema ao ar livre

J á para o jovem Erikson, que além de bibliotecário tem também o papel de assessor cultural da biblioteca, a sua relação com os pequeninos é mais voltada para o mundo dos livros.

Na qualidade de “colecionador de livros”, o jovem tem a missão de brindar os pequeninos com contos literários, estórias e fábulas que ficam registadas no subconsciente dos pequeninos.

A trabalhar na biblioteca há quase dois anos, Erikson tem também a função de receber os visitantes, indicar ou recomendar livros específicos para quem deseja desfrutar de um momento singular de leitura nos aposentos “irreverentes” da 10Padronizada.

Enquanto coordenador das actividades culturais, Erikson fez saber que o espaço tem realizado sessões de cinema ao ar livre com exibição de filmes nacionais e internacionais, com destaque para aqueles que têm um pendor educativo.

“Além de cinema temos tido também eventos de poesia, slam, spoken word, debates, encontros literários e muitas outras actividades que dá para realizar aqui no nosso espaço”, avançou.

Insegurança e vulnerabilidade

Fundada em Setembro de 2020, em meio à pandemia que assolava o país e o mundo, numa altura em que as pessoas eram forçadas ao isolamento social, a biblioteca 10Padronizada surge como um espaço comunitário de leitura livre e gratuito, trazendo um conceito de biblioteca inovadora e inclusiva.

Devido à sua localização, a falta de segurança torna o espaço vulnerável, exposto a vários riscos, sobretudo de assaltos e vandalização, actos que são recorrentes nas pedonais daquela via-expressa situada a Sul da cidade capital. Face à situação, o responsável da biblioteca disse que já várias vezes solicitaram o apoio da polícia no sentido de ver destacado um posto policial naquela zona para garantir a segurança, não apenas do espaço, como também das pessoas que ali se dirigem para ler, mas até agora não obteve qualquer sucesso.

O responsável reportou um triste episódio ocorrido na noite de 15 de Outubro de 2022, em que, segundo conta, indivíduos não identificados, fazendo-se acompanhar de pneus e gasolina, atearam fogo ao espaço, danificando alguns compartimentos da pedonal, e consequentemente da biblioteca, queimando alguns bancos, lonas e uma parte da pintura.

Além deste, outros incidentes também já foram registados no espaço como o roubo de tapetes, cabos de transporte de corrente eléctrica, lâmpadas e alguns objectos que têm servido de bases de apoio durante as aulas de desenho.

“Essa tem sido a nossa maior preocupação, lutar para ver se conseguimos apoio que garanta a nossa segurança, não apenas protecção da biblioteca como da zona em geral para que as pessoas sintam-se seguras em estar aqui e leiam à vontade sem qualquer constrangimento”, expressou.

Neste sentido, Dago Nível disse que anseia por apoios para que, no mínimo, consigam ter um efectivo da segurança privada para garantir a tranquilidade e ordem no espaço, sobretudo no período nocturno.

Falta de casas de banho é outra preocupação

Sendo um espaço de ensino que acolhe crianças por um período superior a uma hora e meia, ter um espaço para a satisfação das necessidades fisiológicas constitui uma condição “obrigatória”.

Entretanto, apesar de existir há já quase quatro anos, a biblioteca não tem uma casa de banho ou latrina. Ao que fez saber o responsável, infelizmente as crianças vêem-se brigadas a fazer as necessidades fisiológicas a céu aberto, ou às vezes (em casos de extrema necessidade) em casas de banho de estabelecimentos comerciais próximos à biblioteca.

“Infelizmente é uma realidade que ainda vivemos, as crianças são obrigadas a fazer as necessidades ali atrás, junto ao contentor de lixo, ou num espaço junto à linha férrea.

Já pedimos apoio para ver se nos colocam pelo menos uma latrina móvel, mas até agora ninguém nos atende, infelizmente”, expressou. Recorde-se que antes de ser beneficiado com o “Crescer Juntos”, a Biblioteca 10Padronizada recebeu, a 25 de Janeiro do ano passado, a visita do Governador Provincial de Luanda, Manuel Homem que constatou de perto as preocupações daquele espaço comunitário, tendo, na ocasião, ofertado cerca de 100 livros para reforçar o acervo bibliotecário daquele espaço.

Na mesma ocasião, a biblioteca foi contemplada com o certificado de ‘Munícipe de Mérito’, um gesto que se traduz no reconhecimento do seu contributo a causas que impactam directamente a vida das comunidades.

Surgimento da Biblioteca

Com um acervo acima de 3.500 livros, a Biblioteca 10Padronizada foi fundada em Setembro de 2020, durante a pandemia da Covid-19, por iniciativa de dois jovens comerciantes, Francisco Mapanda e Arantes Kivuvu.

Enquanto vendedores de bebidas quentes, vulgo “pacotinhos” e cigarros, os jovens faziam-se sempre acompanhar de alguns livros que liam para ver passar o tempo.

À medida que as pessoas íam comprando os seus produtos, interessavam-se pelos livros e, estes, livremente, davam às pessoas para ler ali mesmo naquele espaço.

Com mais pessoas a aderirem às leituras, os jovens decidiram passar a trazer mais livros e transformaram o espaço em lugar de leitura, adaptando cadeiras e pequenos bancos capazes de acomodar quem quisesse ler enquanto apreciava um cigarro ou o seu “pacotinho”.

Assim, sem cerimónias nem inaugurações formais, nasceu a biblioteca 10Padrozinazada, por baixo da pedonal da Robaldina, no distrito da Estalagem, no município de Viana, Luanda.

 

Bernardo Pires

Bernardo Pires

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