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Administrador do Lubango defende alocação de receitas para merenda escolar conforme número de habitantes

O administrador municipal do Lubango, Lizender André, afirmou, recentemente, em entrevista exclusiva ao OPAÍS, que os valores alocados às administrações municipais para a merenda escolar, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP), deviam ser em função da densidade populacional de cada um, para que se possa atender cabalmente as necessidades dos habitantes

Jornal Opais por Jornal Opais
22 de Abril, 2024
Em Sem Categoria

Avaliado em 28 milhões de kwanzas, o Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP), que está a ser desenvolvido em todos os 164 municípios do país, prevê a distribuição de merenda escolar nos estabelecimentos de ensino primário, para combater o absentismo escolar e melhorar a capacidade de assimilação.

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Para a rubrica de merenda escolar, o Programa de Combate à Pobreza disponibiliza mensalmente um total de três milhões de kwanzas para todos os municípios do país.

No município do Lubango, capital da província da Huíla, a merenda escolar está a ser servida apenas a seis escolas com mil 425 alunos, num universo de mais de 140 escolas.

O administrador Municipal do Lubango, Lizender André, disse que este valor é irrisório, tendo em atenção o número de escolas que o município tem, bem como a densidade populacional da capital huilana. Em seu entender, é necessário que as políticas de atribuição de orçamentos para os diferentes projectos municipais sejam revistas.

“Nós temos estado a olhar para o Programa de Combate à Pobreza nesta vertente da merenda escolar com bastante preocupação, porque não está a alcançar aquilo que são os nossos objectivos, porque infelizmente são apenas seis escolas beneficiadas, nós estamos a falar de perto de mil 425 alunos, num universo de mais de 140 escolas do ensino primário, é um número bastante irrisório, está muito aquém daquilo que são as necessidades” disse.

Por outro lado, Lizender André informou que está em curso uma abordagem virada para a melhoria deste programa de Combate à Pobreza no capítulo da merenda escolar, para que a mesma possa abranger um maior número de alunos em todo o município do Lubango.

“Nós temos estado a fazer uma abordagem muito concreta sobre esta questão, no sentido de se rever o Programa numa perspectiva diferenciadora, isto é, que o programa possa levar em linha de contas também esta questão populacional, porque atribuir três milhões de Kwanzas para a merendar escolar a um município que tem mais de 140 escolas, já se pode compreender que não vai ao encontro daquilo que se pretende, nós não temos estado a levar a merenda escolar a mais escolas por causa disso”, afirmou.

Preço da cesta básica contribui para o “fracasso” da merenda escolar no Lubango

O administrador Municipal do Lubango, Lizender André, revelou que o alto preço da cesta básica tem estado a contribuir para o “fracasso” da rubrica de merenda escolar no município que dirige, em função dos valores alocados pelo Governo central para o efeito.

“O valor que se atribui à merenda escolar deveria ser numa proporção idêntica àquilo que é o número de escolas, nós estamos a dizer que se dividirmos os 3 milhões pelo número de escolas que estão a ser beneficiadas, estaremos a falar de 500 mil kwanzas por cada escola.

Os nossos empresários hoje vão reclamando o valor atribuído em função da subida dos preços da cesta básica” assegurou. O que nós temos estado a fazer atende ao nosso Ministério e ao das Finanças, acrescentou, é que independentemente de ser um programa definido de forma igual para todos os municípios do país, deveria atender as especificidades de cada município, porque é fácil compreender que com 3 milhões de Kwanzas para o município que tem 30 a 40 mil habitantes pode responder às necessidades, mas o mesmo valor para o município com mais de 1 milhão de habitantes, logicamente que não se consegue encontrar aqui um equilíbrio para atender às necessidades.

“Desde que foi implementada, a merenda escolar, no nosso município, nunca conseguiu atender o número de escolas que nós controlamos, a situação veio agravar-se com a subida do custo de vida, exactamente porque as empresas que forneciam há dois ou três anos são as mesmas que fornecem até hoje e, com o mesmo valor, conseguimos fazer aqui uma comparação e percebemos que houve uma alteração substancial nos preços da cesta básica”, conclui.

 

Por: João Katombela, na Huíla

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