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A história de um citadino que decidiu arborizar Luanda com custo próprio

Stela Cambamba por Stela Cambamba
1 de Março, 2024
Em Sem Categoria

O amor pelas plantas levou o cidadão Eurico Xavier a tratar da arborização, gastando do seu próprio dinheiro, de vários lugares na cidade de Luanda

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quadro sénior da TAAG, o reformado Eurico Xavier sempre gostou de lidar com a natureza, uma vez que queria estudar na Escola Agrária do Tchivinguiro, quando residiu na cidade do Lubango, província da Huíla, mas que por diversas razões a sua vontade não veio a se concretizar. Ainda assim, em 2010 decidiu seguir a sua paixão e plantou as duas primeiras acácias, no par- que de estacionamento do Aeroporto 4 de Fevereiro.

Infeliz- mente apenas uma sobreviveu, enquanto a outra não resistiu porque era exactamente nesta árvore onde os que ali passavam urinavam. Prosseguiu com as plantações, na Avenida Brasil, a partir da antiga judiciária até ao Prédio da Tchetchenia; no Chamavo, desde a Movicel até a Faculdade de Ciências; no Largo do Anangola, defronte ao Hotel Alameda, no Cemitério do Alto das Cruzes, no Ministério das Relações Ex- teriores, junto ao Tribunal Dona Ana Joaquina, e as últimas foram plantadas depois do viaduto da Corimba.

As plantas crescem de for- ma saudável, apesar das várias agressões que sofrem. Eurico Xavier gasta do seu bolso para comprar as plantas no canal do Kikuxi, tem tido o apoio de dois ou três jovens, no período da plantação, que levam água, enxada e outros meios. Normalmente ficam o período da manhã, nos dias de semana, a plantar, e no final de se- mana, sábado ou domingo, é feita a irrigação.

Infelizmente as árvores plantadas nem todas chegam a crescer, isto porque os meninos de rua, quando estão sob efeito de droga, as destroem. Ainda assim, as plantas são repostas e “actualmente devo fazer uma nova plantação, desde o Largo da Independência até às antigas instalações da TPA, porque tenho algumas mudas que foram partidas.

Cheguei a plantar 30 acácias rubras, só 14 estão de pé”, lamentou Eu- rico Xavier. Recentemente, o entrevista- do recebeu da parte do Governo Provincial de Luanda duas doações consubstanciadas em 24 mudas de acácias e uma motorizada-cisterna de três rodas, com capacidade de mil litros de água. Na mesma senda, recebeu também apoio da Administração Distrital do Sambizanga, que deu mais mudas de árvores. Ao total diz já ter plantado, por conta própria, 55 acácias nos vá- rios pontos de Luanda, e mais as 24 que foram doadas recente- mente. Uma plantação recente que fez foi depois da Shoprite do Palanca, onde plantou 18 mudas de acácias.

Segundo o munícipe do distrito urbano da Ingombota, por enquanto planta acácias rubras, que, apesar de algumas pessoas defenderem que a sua raiz é muito forte e chega a destruir o passeio, procura manter o espaço suficiente para que isto não venha a acontecer. Eurico é de opinião que zonas como a Avenida Brasil e a descida do 1.º Congresso devem ser intervencionadas já, incluindo a Ilha de Luanda, onde o GPL aconselha que sejam plantadas palmeiras. “A palmeira fica mais cara, está entre três a cinco mil kwanzas, para além de, na minha opinião, não dar sombra e contribuir apenas para o embelezamento da cidade”, sustenta. Se pudesse plantar 50 árvores durante o final de semana, plantava, mas infelizmente depende do salário de reformado.

Jacarandá poderá embelezar também Luanda

Segundo Eurico Xavier, não tem uma zona limite para as plantações, toda a zona onde passa lhe chama a atenção, basta que tenha um espaço vazio. Numa das suas deslocações ao exterior do país, conheceu uma acácia diferente, denominada Jacarandá, que dá flores de cor rocha, que tem no seu viveiro apenas três muda em fase de crescimento. “O maior obstáculo tem sido a falta de conhecimento sobre a importância de uma árvore no seio da população. Inicialmente, quando comecei a plantar, tinha de replantar duas a três vezes por semana no mesmo espaço, porque as pessoas simplesmente arrancavam”, disse.

Agora, sempre que planta uma árvore, à sua volta coloca alguns paus para a sua protecção que, posteriormente, os meninos catadores de lixo tiram e utilizam- nos para vasculhar os resíduos nos contentores. O nosso entrevistado defende que cada cidadão deva plantar e cuidar uma árvore. Quanto ao facto de muitos defenderem a plantação de árvores frutíferas, Eurico disse que, devido à falta de educação ambiental, não seria viável, exemplificando que na Ilha de Luanda, onde há mui- tas figueiras, as crianças atiram pedras até mesmo quando a fruta está verde. “Se melhorarmos em termos de educação ambiental, poderei plantar laranjeiras, goiabeiras, nespereiras, figueiras, limoeiros, entre outras árvores. Por enquanto, não é viável”, finalizou.

Stela Cambamba

Stela Cambamba

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