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Junta Militar de Myanmar promete eleições este ano e libertar mais de 7 mil presos

Jornal Opais por Jornal Opais
5 de Janeiro, 2023
Em Mundo

O líder da Junta Militar instou outras nações e organizações internacionais, bem como a própria população, a apoiarem “o genuíno sistema democrático multipartidário e disciplinador

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A Junta Militar, no poder em Myanmar, prometeu, ontem, Quarta-feira, eleições ainda este ano e libertar mais de 7 mil prisioneiros no dia em que se comemoram os 75 anos da independência do país. O líder da Junta militar descreveu planos para uma eleição durante 2023 e apelou à unidade nacional em Myanmar (antiga Birmânia).

O general Min Aung Hlaing instou outras nações e organizações internacionais, bem como a própria população, a apoiarem “o genuíno sistema democrático multipartidário e disciplinador”, um conceito que os militares no poder definiram como objectivo.

O primeiro passo real para a realização das eleições poderá ocorrer no final deste mês, quando a última prorrogação de seis meses de um estado de emergência terminar.

O estado de emergência foi instituído para permitir o governo militar após a tomada do poder através de um golpe de Estado pelo exército em Fevereiro de 2021 que derrubou o governo eleito de Aung San Suu Kyi. A tomada do poder pelos militares inverteu quase uma década de progresso rumo à democracia, após cinco décadas de governo militar.

Os militares afirmaram ter agido devido à fraude eleitoral maciça na votação, embora os observadores eleitorais independentes não tenham encontrado quaisquer irregularidades importantes.

“Ao cumprir as disposições do estado de emergência, serão realizadas eleições livres e justas, de acordo com a constituição de 2008, e serão empreendidos mais trabalhos para entregar os deveres do Estado ao partido vencedor, de acordo com os padrões democráticos”, declarou Min Aung Hlaing no discurso proferido, ontem, na capital, onde também presidiu a um desfile militar de grande escala.

Libertação de mais de 7 mil prisioneiros.

O plano para uma eleição geral é amplamente visto como uma tentativa de normalizar a tomada do poder pelos militares através das urnas e de entregar um resultado que assegure que os generais mantenham o controlo.

Os militares controlarão todo o processo e passaram os últimos dois anos a enfraquecer qualquer oposição credível.

Embora não oficialmente proibida, a Liga Nacional para a Democracia, o popular antigo partido no poder, foi efectivamente desmantelada, com os líderes e muitos dos membros a serem enviados para a prisão ou forçados à clandestinidade.

Todas as formas de dissidência são actualmente reprimidas pelas forças de segurança, por vezes com força letal. Os conflitos armados ainda assolam a maior parte do país, e Min Aung Hlaing salientou que “a cessação dos conflitos armados internos para assegurar a solidariedade nacional e a paz são necessidades absolutas para o (…) país, e que esforços árduos estão a ser feitos para esse fim”. “Vê-se que algumas organizações e países se imiscuíram nos assuntos internos de Myanmar.

No entanto, decidimos permanecer firmes ao nível mundial, aderindo à nossa política externa, a fim de salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses da nossa nação”, afirmou.

A Junta Militar prometeu ontem libertar mais de 7 mil prisioneiros para assinalar o 75.º aniversário da independência do Reino Unido, disse à agência de notícias AFP um porta-voz. “Um total de 7.012 prisioneiros serão perdoados para assinalar o 75.º aniversário do Dia da Independência”, disse Zaw Min Tun à AFP, sem indicar se a amnistia inclui pessoas detidas durante a repressão militar às manifestações que se seguiram ao golpe de Estado.

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